“Estima-se que as neoplasias constituam importante causa de óbito em animais de companhia. Estudos revelaram que 45% dos cães com 10 anos de idade ou mais chegam a óbito devido a complicações das neoplasias.”

A oncologia é considerada uma área de grande relevância na medicina veterinária. Fatores como a nutrição com dietas equilibradas, vacinações que previnem precocemente doenças infectocontagiosas e avanços na medicina veterinária têm contribuído para a maior longevidade dos animais, o que, por sua vez, aumenta a incidência de casos de câncer na rotina clínica.

Fatores de Risco e Prevalência

A localização das diferentes neoplasias varia conforme a idade, o sexo e a raça. Muitas neoplasias afetam com mais frequência animais de determinada idade, raça e sexo, sendo que essas informações auxiliam no diagnóstico.

  • A Pele: É a principal localização das neoplasias nos animais domésticos, especialmente nos cães, representando 67,6% do total de neoplasias.
  • Glândula Mamária: Representam, aproximadamente, 52% de todas as neoplasias da cadela, sendo que 50% delas ocorrem na forma maligna. As fêmeas da espécie canina não esterilizadas cirurgicamente apresentam incidência de tumores mamários quatro a sete vezes maior. A ovarios-salpingo-histerectomia (castração) em cadelas jovens tende a reduzir significativamente a incidência.
  • Raça e Sexo: Os mastocitomas envolvem principalmente os cães braquicefálicos e os tumores ósseos são mais frequentes nas raças grandes e gigantes. Observa-se maior prevalência de neoplasias em fêmeas da espécie canina, aproximadamente 71%, quando comparadas aos machos. Em alguns estudos, cães sem raça definida (SRD), Boxers e Pit Bulls apresentaram altas taxas de acometimento.

Principais Tipos de Câncer em Pets

Existem mais de 100 tipos de câncer que podem acometer os animais de companhia. Destacam-se:

Tipos Comuns de Neoplasias

  • Câncer de mama: Muito comum em fêmeas não castradas ou que passaram pelo procedimento tardiamente.
  • Tumores cutâneos (Mastocitomas): Animais despigmentados sofrem mais com esse tipo de câncer, muitas vezes desencadeado pela exposição frequente à luz solar.
  • Hematopoiéticos: Atingem as células formadoras de tecido sanguíneo, podendo ocasionar linfomas e leucemias.
  • Melanoma e Câncer de pele: Desencadeados pela excessiva exposição ao sol e outros fatores externos.

Sinais Clínicos e Diagnóstico

Cada tipo de câncer se manifesta de maneira diferente no corpo do animal. Os principais sinais da enfermidade incluem: apatia, manchas, nódulos, perda de peso, vômitos e diarreia, aumento da massa abdominal e urina ou fezes com presença de sangue.

Caso o animal apresente qualquer um destes sinais, é importantíssimo o encaminhamento a um profissional especializado em oncologia veterinária. O diagnóstico precoce é fundamental. Geralmente, exames sanguíneos e clínicos são solicitados, e o diagnóstico por imagem (como o ultrassom) é um excelente aliado para localizar com exatidão o tumor e avaliar seu desenvolvimento.

Principais Tratamentos Utilizados

Quando tratado inicialmente, o câncer pode ter cura. O tratamento escolhido dependerá do tipo, localização e estágio da neoplasia:

  • Cirurgia: O método mais empregado ao se descobrir um tumor. A excisão cirúrgica, muitas vezes associada a técnicas de cirurgia reconstrutiva para garantir margens seguras e o fechamento do defeito, é a via mais rápida para resolver o problema, podendo atuar de forma curativa ou paliativa.
  • Quimioterapia: Tratamento complementar para controle do câncer que pode se espalhar. Utiliza as mesmas drogas humanas, porém em doses menores, permitindo que o pet leve uma vida quase normal. Efeitos colaterais podem incluir náuseas, vômitos, diarreia e queda de pelos.
  • Radioterapia: Utilizada para controlar o tumor localmente e proporcionar mais qualidade de vida. Os pets geralmente apresentam boa tolerância a este método.
  • Eletroquimioterapia: Tratamento inovador que combina medicamentos quimioterápicos com a aplicação de um campo elétrico específico.
  • Imunoterapia: Mais utilizada em pacientes com melanoma, atuando em vias específicas das células tumorais.

O Papel do Médico Veterinário

O médico veterinário, especialmente com conhecimentos em oncologia, tem um papel determinante para salvar vidas. Compreender a biologia tumoral, a importância da castração preventiva e dominar as técnicas cirúrgicas de remoção e reconstrução são essenciais na rotina clínica contemporânea.